A movimentação nos bastidores do Ninho do Urubu para o planejamento de 2026 já começou e traz uma mensagem clara ao mercado: Luiz Araújo não está à venda. Em um cenário onde o Flamengo busca ativamente reforçar o elenco e cogita envolver peças importantes em negociações, o camisa 7 recebeu um status diferenciado. A diretoria rubro-negra definiu que o atacante é inegociável, frustrando interesses externos e consolidando a posição do jogador como um pilar de confiança para a comissão técnica de Filipe Luís.
Essa postura firme da gestão sediada na Gávea ficou evidente durante as conversas recentes com o Cruzeiro. O clube mineiro, interessado em negociar o atacante Kaio Jorge, viu em Luiz Araújo uma moeda de troca ideal para destravar o negócio. No entanto, a resposta vinda do Rio de Janeiro foi imediata e contundente: chance zero de envolver Luiz Araújo em qualquer permuta. Essa negativa não é apenas uma estratégia de valorização, mas um reconhecimento técnico do que o atleta entregou na última temporada.
Para entender o motivo dessa blindagem, é necessário olhar friamente para os números e para a regularidade física do atleta, algo raro no futebol brasileiro atual. Em 2025, Luiz Araújo viveu a temporada mais decisiva de sua carreira. Foram 68 jogos disputados, com 13 gols marcados e 10 assistências distribuídas. Esses dados o colocam em uma prateleira de eficiência que poucos pontas conseguiram atingir no elenco. Enquanto outros nomes badalados sofreram com oscilações ou problemas físicos, Luiz Araújo esteve disponível, tornando-se uma ferramenta constante para resolver problemas táticos no Maracanã e fora de casa.
Ainda que muitas vezes rotulado como reserva, o status real de Luiz Araújo é o de “12º jogador”, aquele que joga tanto ou mais que os titulares nominais. Ele ficou atrás apenas de Léo Pereira, Léo Ortiz, Arrascaeta e Bruno Henrique em minutagem. Isso demonstra que, na prática, ele é fundamental para a rotação e para a manutenção da intensidade da equipe. O técnico Filipe Luís, conhecido por sua exigência tática, identificou no camisa 7 uma entrega que outros concorrentes da posição não conseguiram replicar com a mesma constância: a capacidade de aliar recomposição defensiva com participação direta em gols.
O contraste com outros atletas do setor ofensivo reforça a decisão da diretoria. Nomes como Everton Cebolinha, que busca mais espaço, ou Michael, foram colocados na mesa de negociações ou são vistos como dispensáveis para viabilizar chegadas como a de Kaio Jorge. A disponibilidade física de Luiz Araújo pesou muito nessa balança. O Flamengo, escaldado por temporadas anteriores onde o departamento médico ficava cheio em momentos cruciais, valoriza quem consegue suportar o calendário insano do futebol sul-americano. Luiz Araújo provou que aguenta o tranco.
Além do desempenho em campo, a questão contratual oferece segurança ao Flamengo. Com vínculo até o fim de 2027, o clube não tem pressa e detém o controle total sobre o futuro do atleta. Diferente de jogadores em fim de contrato que geram pressão por renovação imediata, o foco com Luiz Araújo é puramente esportivo. A diretoria entende que, para 2026, manter uma base que funciona é tão importante quanto contratar. E Luiz Araújo, silenciosamente, tornou-se parte essencial dessa base que treina diariamente no Ninho do Urubu.
O veto à sua saída para o Cruzeiro ou qualquer outro interessado também sinaliza uma mudança de perfil no elenco. O Flamengo busca jogadores com fome de bola e durabilidade. Enquanto Allan e Viña aparecem como nomes negociáveis, a permanência de Luiz Araújo é a afirmação de que o mérito em campo está sendo recompensado. Ele entregou gols, assistências e saúde. Em troca, recebeu a garantia de que seu lugar no Rio de Janeiro está assegurado.
Portanto, o torcedor que frequenta o Maracanã pode esperar ver muito mais do camisa 7. A decisão está tomada e é baseada em dados concretos, não em grife. Luiz Araújo entregou o que o time precisava no momento mais agudo de 2025 e, por isso, entra em 2026 não como uma moeda de troca, mas como uma certeza dentro de um elenco que ainda busca suas novas peças. O recado para o mercado foi dado: procurem outro alvo, pois este ponta não sai da Gávea.
