A movimentação nos bastidores do Ninho do Urubu indica uma mudança significativa no planejamento de elenco para a temporada de 2025. O Flamengo e o River Plate avançaram consideravelmente nas tratativas para a transferência do lateral-esquerdo Matías Viña. A negociação não é apenas um rumor de mercado, mas uma reestruturação necessária diante da realidade técnica e financeira que o clube enfrenta no momento. O modelo de negócio desenhado entre as partes envolve um empréstimo válido por um ano, mas o detalhe crucial reside na cláusula de obrigação de compra caso metas específicas sejam atingidas pelo atleta no futebol argentino.
Essa construção contratual é fundamental para proteger o patrimônio do clube. O Flamengo realizou um investimento pesado em janeiro de 2024, desembolsando cerca de 8 milhões de euros, o equivalente a R$ 42,8 milhões na cotação da época, para tirar o jogador da Roma. Recuperar parte desse valor ou garantir que o ativo não se desvalorize no banco de reservas é a prioridade da gestão na Gávea. A saída de Viña, portanto, obedece a uma lógica de mercado rigorosa, visando estancar a sangria de manter um jogador desse custo com uma minutagem irrelevante.
O cenário técnico no Rio de Janeiro tornou a permanência do uruguaio praticamente insustentável. A hierarquia na lateral esquerda está muito bem definida e não favorece Viña. Alex Sandro consolidou-se como o titular absoluto da posição, entregando a experiência e a consistência defensiva que a comissão técnica exige. Logo atrás, Ayrton Lucas figura como a principal alternativa, oferecendo vigor físico e velocidade, características que mudam a dinâmica do jogo quando acionadas. Isso empurrou Viña para uma terceira opção na fila, uma situação incompatível com o seu salário e com o investimento realizado.
Outro ponto que pesa drasticamente nesta decisão é a questão física e o ritmo de jogo. Avaliações internas no Centro de Treinamento George Helal apontam que Viña necessita de mais tempo e sequência para atingir o seu nível físico ideal. No entanto, a matemática do dia a dia é cruel. Com três laterais de alto nível disputando uma única vaga, sobra pouco espaço até mesmo nos treinamentos táticos principais. O jogador que fica como terceira opção acaba sobrando das atividades mais intensas, o que cria um ciclo vicioso onde ele não joga porque não tem ritmo, e não ganha ritmo porque não treina com os titulares.
Os números da passagem de Viña pelo Flamengo até agora são o reflexo claro desse problema de planejamento. O atleta somou apenas 343 minutos em campo divididos em 10 jogos, sendo titular em apenas três oportunidades. Para um reforço que chegou com status de solução e custando dezenas de milhões, esse retorno técnico é inaceitável. A diretoria, agora sob nova supervisão e aguardando o aval final de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, entende que insistir nessa configuração de elenco é um erro estratégico.
O interesse do River Plate surge como uma oportunidade de ouro para todas as partes. O clube argentino já havia sondado a situação do atleta antes da virada do ano, e agora as conversas evoluíram para um estágio prático. Para o jogador, é a chance de retomar o protagonismo em uma liga competitiva e em um gigante sul-americano. Para o Flamengo, é a possibilidade de aliviar a folha e potencialmente garantir a venda definitiva ao final do período de empréstimo, caso as metas sejam batidas. A operação no Rio de Janeiro precisa ser cirúrgica, e liberar um ativo caro que não está sendo utilizado é o primeiro passo para um 2025 mais eficiente.
Ainda restam etapas burocráticas, como a troca de documentos e a assinatura formal do contrato, mas a tendência é irreversível. A passagem de Viña pela Gávea e pelo Maracanã, que prometia muito na sua chegada, esbarrou na concorrência interna e na falta de adaptação física imediata. O futebol é dinâmico e não perdoa ociosidade. A saída para o River Plate é a correção de rota necessária para que o Flamengo mantenha seu elenco equilibrado e para que o jogador reencontre seu futebol longe da sombra de Alex Sandro e Ayrton Lucas.
